Sabia que o Aranhiço Vermelho pode ser controlado de forma bem natural, a Joaninha de 7 pintas dá “conta do recado”!
Infelizmente o uso abusivo de pesticidas e derivados arrasou quase por completo os sagrados Agentes Auxiliadores. Com a evolução dos tempos e o uso exessivo de químicos, surgiram novas pragas e doenças que afetam a nossa Agricultura. Geralmente de forma catastrófica arrasam culturas inteiras, e a nossa evolução ordena-nos que utilizemos a ciência e química para encontrar uma solução.
É neste momento que toda a “medicina natural” começa a diminuir. Aqueles insetos que muitas vezes achamos estranhos, são “curas” para culturas inteiras.
Esta é a segunda publicação de outras 12 referentes a pragas e doenças que afetam a cultura vinícola.Na última publicação iremos compilar todas as pragas e doenças de forma a criar um conteúdo sólido sobre este tema
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Conheça um pouco da biologia do aranhiço vermelho.

Aranhiço Vermelho – Panonychus ulmi Koch
Descrição da Praga
A fêmea adulta de cor vermelho escuro em forma de globo com um dorso arqueado, dispões de umas saliências. Nestas saliências estão alocados pêlos de cor branca com 0.5mm de comprimento.
O Macho de tamanho mais reduzido e cor mais clara dispõe de um corpo menos globoso afunilando na parte posterior. Ambos são dotados de 4 pares de patas.
Os ovos com a forma de uma cebola apresentam inúmeras estrias possuindo um pedicelo fino e longo na parte superior do ovo. Durante o Inverno apresenta uma cor vermelho vivo, com a chegada do Verão a sua cor torna-se bastante mais clara.
Ciclo Biológico
Durante o Inverno ainda em formação de ovo aloja-se nos gomos ou então nos sarmentos e tronco. Daqui nasce o aranhiço vermelho com 8 pés iniciando rapidamente a sua alimentação. Ao mesmo tempo que inicia a colonização das folhas começando desde a base até ás suas extremidades.
Inicia então um estágio de repouso – protocrisálida. Nasce então uma protoninfa com 8 pés assim que atinge o seu desenvolvimento completo, regressa ao repouso – deutocrisálida. Nesta fase desvenda-se um estado “larvar móvel”. A deutoninfa constituída com 8 pés distinguindo-se apenas pelo tamanho do anterior estádio. Inicia novamente e pela última vez uma fase de repouso – teliocrisálida onde irá dar inicio à fase adulta.

A total duração destas fases de desenvolvimento pode variar de 6 a 30 dias, tudo irá depender da temperatura e humidade relativa. Cada aranhiço vermelho fêmea liberta aproximadamente 30 ovos este processo é designado como postura. Desenvolvendo entre 7 e 9 gerações por ano tendo em conta as condições climatéricas.
No pico do Verão em Agosto tem início a postura de Inverno onde se irá desenrolar a população do seguinte ano. Esta fêmea não necessita de macho para se reproduzir, porém cria dois tipos de ovos distintos os haplóides onde se encontram os machos e os diplóides que dão origem às fêmeas.
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Como Identificar Os Sintomas?
Um dos primeiros sintomas poderá ser a desfolhação precoce da videira. Originado na família dos ácaros o aranhiço vermelho munido de uma armadura bucal permite-lhe infectar as células da epiderme e do parênquima das folhas. Levando a aparecer na parte principal da folha (limbo) alguns pontos de inflamação rodeados por uma descoloração por vezes intensa consequentemente inicia-se o processo de desfolhação da videira. Estes ataques tornam-se mais graves no início do abrolhamento, nesta altura a videira já se apresentará com muito pouca expressão vegetativa.

Surgem então nas folhas pequenos pontos inflamados dando início à decomposição dos tecidos foliares. Ocorrendo nas bordaduras das folhas com uma aparência pálida e esverdinhada e uma excessiva fraqueza nas jovens folhas. Podendo também apresentar destruição ou atrofia no início floral. No estado vegetativo quando a videira já demonstra um desenvolvimento vegetativo maior surge então o bronzeamento. O principal estrago causado por esta praga é a diminuição de acumulação de açucares debilitando substancialmente a cepa.
Condições Favoráveis Para A Desenvolvimento Da Praga
Os principais factores para o bom desenvolvimento deste ácaro são as temperaturas elevadas e humidade relativa baixa. Os efeitos secundários provocados por alguns pesticidas quando aplicados na população auxiliar e o efeito estimulante dos mesmos sobre a reprodução e longevidade da praga facilitam o seu desenvolvimento.
Estes são alguns dos auxiliares que permitem um controlo natural do aranhiço vermelho:
- Ácaros – Typhlodromussp., Zetzellia mali.
- Coleópteros – Stethorus punctillum.
- Heterópteros – Orius sp.
- Neurópteros – Chrysopa sp.
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Como Proteger a Cultura?
Ao seguir uma estratégia de protecção deverá ter em conta a intensidade de ataque da praga bem como a população de auxiliares presentes no local. Esta avaliação deverá ser feita no repouso invernal ou então durante o ciclo vegetativo. Estimando a taxa de ocupação dos gomos ou das folhas.
A realização de tratamentos fitossanitários estará sempre condicionada pela população de auxiliares existentes. Em particular o Typhlodromus pyri, e apenas deveremos intervir quando a taxa de ocupação do ácaro for maior. Aproximadamente em 20% do que a taxa de ocupação dos agentes auxiliares. Em números inferiores a 20% a população de auxiliares conseguirá exterminar a população do aranhiço vermelho.
Como poderá constatar, será mais benéfico recorrer aos meios que a própria natureza dispões do que recorrer a químicos. Algumas fontes garantem que uma simples Joaninha de 7 pintas ou outros insetos da família dos Heterópteros, simplesmente exterminam pragas inteiras. Infelizmente por vezes os ataques do aranhiço vermelho são tão intensos e os agentes auxiliares encontram-se em número reduzidos que será mesmo necessário recorrer à evolução tecnológica química.

Caso exista necessidade de intervir agenda-se a realização de um tratamento na Primavera. Poderemos recorrer a um acaricida homologado detentor de um bom efeito de choque acalmará com certeza a o crescimento populacional do ácaro. Caso se justifique poderá também realizar um tratamento no Verão utilizando um acaricida persistente.
Muito importante é o volume da calda a utilizar deverá seu um volume alto e a sua aplicação deverá ter lugar nas horas de maior calor. Após uma avaliação mais aprofundada e caso verifique que a praga não abranda poderá utilizar fungicidas que travem o desenvolvimento do ácaro.
Mas deverá ter muito cuidado pois geralmente estes fungicidas tais como: enxofre, dinocape, manebe, zinebe ou até mesmo o mancozebe. Afectam prejudicialmente os agentes auxiliadores recomenda-se então uma cuidada ponderação na sua aplicação.
A luta química perante este ácaro tem-se revelado em curto espaço de tempo uma estratégia de insucesso. O que aconselhamos vivamente ao recurso de produtos que permitam o “trabalho” dos agentes auxiliares.
Esta é segunda das principais 12 Pragas E Doenças Que Podem Arruinar A Vinha.
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Fontes:
– DRABL |Madalena Neves|