A Traça da uva é uma das principais pragas da região demarcada do douro. Levando muitos produtores ao desespero, com perdas aveludadas na produção.
A Traça da Uva é uma praga que tem contribuído bastante para a baixa de quantidade e qualidade das culturas vinícolas. O objetivo desta publicação é dar a conhecer esta espécie e a forma como se propaga.
Esta será a primeira publicação de outras 12 referentes a pragas e doenças que afetam a cultura vinícola. Na última publicação iremos compilar todas as pragas e doenças de forma a criar um conteúdo sólido sobre este tema
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TRAÇA DA UVA – LOBESIA BOTRANA
É muito usual apelidarmos esta praga de eudémis ou de lagarta do cacho, passemos então a descrever os seus vários estágios.

Descrição da Praga
Em forma de borboleta em adulto poderá chegar aos 6mm de comprimento e entre 10 a 12mm de envergadura. Munida de assas anteriores cobertas de manchas castanhas e cinzentas muito semelhantes ao mármore. As suas assas posteriores de cor acinzentadas formam uma estrutura semelhante a um telhado que utiliza para protecção do seu corpo enquanto repousa.
Em forma de lente os seus ovos são arredondados e achatados. Concebido com um diâmetro inferior a 1mm bastante semelhantes a pequenas gotas de cera. Inicialmente adquire uma cor amarelada transformando-se mais tarde numa coloração translúcida com tonalidade cinza.
Quando o seu ovo se rompe surge uma pequena larva com 1mm de comprimento que irá passar por 5 estágios. Neste último poderá atingir 1 cm em todo o seu comprimento. A traça da uva tem uma variante colorida que vai desde o amarelo até ao castanho. Passando também por tonalidades verdejantes. Quando se sentem ameaçadas reagem com movimentos bastante rápidos podendo se pendurar através de um fio sedoso.
Ciclo Biológico
No seu último estágio antes de se formar em borboleta a traça da uva encontra-se num estado hibernante. Predominantemente encontra-se nas cepas ou então nas folhas caídas no solo. Quando começa a “cheirar” a Primavera e o tempo aquece surgem então os primeiros espécies adultos. Em primeiro lugar surgem os machos e apenas posteriormente as fêmeas. A sua actividade predominante como o voo ou acasalamento surgem em ambientes nocturnos.
Pouco tempo após à libertação das fêmeas iniciasse o acasalamento. Estas alojam-se sobre os botões florais e poderá acontecer mas menos frequentemente sobre os gomos, pedicelos ou ráquis. Desta forma uma fêmea poderá realizar uma postura (libertação de ovos) de 50 a 80 ovos durante 6 dias, posteriormente a este processo acaba por morrer.

A incubação dos ovos desta 1ª geração têm a durabilidade entre 7 a 11 dias. Assim que se transformam em lagartas deslocam-se até aos botões florais. Começando a formar um ninho sedoso que servirá de protecção. Iniciando assim a infecção da planta deteriorando completamente os botões florais. O seu desenvolvimento tem uma duração de 20 a 30 dias. Logo que se feche este ciclo inicia-se a construção de um casulo no qual permanece entre 5 a 10 dias até atingir a fase adulta da 2ª geração.
Após esta 2ª geração efetuarão uma postura nos jovens bagos de uva, por volta dos 4 – 5 dias dá-se a eclosão. Começam a aparecer jovens traças da uva que iniciam uma corrida desenfreada para o interior dos bagos. Estas jovens traças da uva roem superficialmente ou por vezes fazem profundas penetrações nos bagos até completarem o seu total desenvolvimento deste estágio. Surgem então os adultos da 3ª geração exercem uma postura sobre os bagos já pintados. Semelhante à geração anterior estas traças da uva perfuram e roem superficialmente os bagos. Esta fase é bastante critica pois poderá desenvolver através das feridas realizadas pelas traças da uva a Podridão Cinzenta.
Como Identificar Os Sintomas?
Na 1ª geração iniciasse o aparecimento de ninhos ou aglomeração destes corpos em botões florais que poderão ou não apresentar-se roídos. Começa a notar-se a presença de traça da uva no interior dos bagos. Quando incomodadas ficam inquietas e penduram-se num fio sedoso. Neste 1º estágio os estragos não são considerados muito graves. Em alguns casos poderá efectuar-se uma monda. Excepto em casos de ataques extremamente intensos. Levando à destruição dos botões florais onde poderá causar grandes perdas de produtividade.

Podemos agendar para a 2ª e 3ª gerações uma análise com mais objetividade à intensidade do ataque. Através da quantidade de ovos e perfurações de bagos na cultura. Os estragos causados pela traça da uva incidem na destruição parcial de cachos, levando a uma diminuição de produção. Porém os estragos indirectos causados por estas lagartas são os mais prejudiciais. Pois poderão levar ao aparecimento de podridão, consequentemente poderá ocorrer a Podridão Cinzenta.
Como Proteger a Cultura?
A forma mais eficaz de proteger os seus botões florais passará pelo acompanhamento da evolução do inseto. Analisar visualmente ou através de armadilhas sexuais (que já explicaremos como funciona) irá fornecer-lhe uma avaliação da intensidade do ataque e a oportunidade de realizar um tratamento.
[ctt template=”8″ link=”FRW0z” via=”yes” ]A PROTECÇÃO CONTRA A TRAÇA DA UVA NÃO DEVE SER FEITA DE FORMA SISTEMÁTICA OU INCONSCIENTE, ALGUNS FACTORES A TER EM CONTA:[/ctt]
- Estragos directos normalmente não carecem de importância extrema, claro expecto nos casos de ataques intensos ou se a sua cultura é predominantemente uva de mesa. Poderá dispor de variedades susceptíveis ao desavinho ou então ao não desenvolvimento precoce de podridão cinzenta.
- Após analisar os estragos directos ou indirectos causados pela 1º geração em modo geral é inútil efetuar tratamento nesta geração. Claro que existem exepções conforme analisámos nos casos anteriormente citados.
- Indiretamente os estragos causados pelas 2ª e 3ª gerações são de vital importância mesmo nos casos em que os ataques são menos intensos. Isto porque aliado a estes estragos poderemos estar perante ao desenvolvimento da podridão cinzenta.
Nestas gerações o principal objectivo a ter em conta quando realizamos um tratamento, será sempre evitar a todo o custo a penetração das traças da uva nos bagos. Pois assim limitamos a quebra de produção impedindo o aparecimento de algumas feridas por entre os bagos que poderão levar ao extremo de podridão cinzenta.
Conforme for o seu estágio os tratamentos devem ser:
- Preventivos – Logo no início do voo dos insetos até ás suas eclosões, recorre-se geralmente a inseticidas do grupo dos reguladores de crescimento de insetos iniciando combate biológico.
- Curativos / Preventivos – Apartir do início das eclosões aconselha-se os reguladores de crescimento recorrendo aos inseticidas propriamente ditos.
- Curativos – Deverão realizar-se apartir do final das eclosões.
Neste passo não deverá apenas ter em conta apenas o efeito pretendido, mas também o seu efeito sobre os agentes auxiliares. Estes agentes irão contribuir para o controlo da traça da uva e também outros inimigos que possam estar presentes na vinha.
Uma das técnicas mais eficaz no tratamento da traça da uva é sem dúvida alguma o controlo por confusão sexual. Esta técnica utiliza a saturação do ar com feromona sexual feminina. Desta forma evita que o macho seja capaz de localizar uma fêmea. Impedindo o acasalamento e reduzindo assim a população seguinte.
Esta técnica apenas se torna eficaz se seguirmos alguns requisitos, tais como a área e a existência de uma baixa população inicial. Em culturas com elevada população de traça da uva podemos recorrer a esta técnica. Desde que acompanhada pela realização de tratamentos químicos no 1º ano da sua utilização. Este processo terá sempre a finalidade de reduzir a população existente.
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Dentro em breve abordaremos a Praga Aranhiço Vermelho.
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Fontes:
– Cadernos Técnicos nº1 ADVID
– DRABL |Madalena Neves|